{"id":488,"date":"2020-12-17T15:34:44","date_gmt":"2020-12-17T14:34:44","guid":{"rendered":"https:\/\/mei.ms-dev.it\/?page_id=488"},"modified":"2022-01-26T10:21:16","modified_gmt":"2022-01-26T09:21:16","slug":"villa-regina-uma-colonia-italiana-na-patagonia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/approfondimenti\/villa-regina-una-colonia-italiana-in-patagonia\/","title":{"rendered":"Villa Regina. Uma col\u00f3nia italiana na Patag\u00f3nia"},"content":{"rendered":"<p>Villa Regina \u00e9 uma cidade localizada na prov\u00edncia argentina de Rio Negro, no norte da Patag\u00f3nia. Atualmente tem cerca de 30.000 habitantes e \u00e9 um importante centro agr\u00edcola conhecido principalmente pela produ\u00e7\u00e3o de fruta para o mercado interno, mas tamb\u00e9m para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XIX, em 1895, durante a constru\u00e7\u00e3o da linha f\u00e9rrea a sudoeste de Buenos Aires, o presidente argentino Julio Argentino Roca concedeu ao seu secret\u00e1rio Manuel Marcos Zorilla 15.000 hectares de terras planas com a condi\u00e7\u00e3o de permitir a passagem da linha f\u00e9rrea.<\/p>\n<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de irrigar estas terras, em 1898 o governo encarregou o engenheiro C\u00e9sar Cipolletti de elaborar um projeto para aproveitar as \u00e1guas dos rios Neuqu\u00e9n, Limay, Negro e Colorado; em 1907 come\u00e7aram os trabalhos de constru\u00e7\u00e3o dos canais. O engenheiro tamb\u00e9m apresentou o seu trabalho em Roma, a fim de atrair investidores italianos.<\/p>\n<p>Poucos anos ap\u00f3s a sua morte, em 1923, o seu colaborador, o engenheiro Felipe Bonoli, comprou 5.000 hectares de terra da propriedade de Manuel Zorilla em nome da Compa\u00f1ia Italo-Argentina di Colonizaci\u00f2n, C.I.A.C., uma empresa mista p\u00fablico-privada. Foi o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia e da cidade.<\/p>\n<p>O capital inicial de 1,4 milh\u00f5es de d\u00f3lares foi utilizado para a compra do terreno, que foi arrendado em lotes a colonos que, primeiro, foram trazidos diretamente de It\u00e1lia, sobretudo de regi\u00f5es setentrionais como Friuli Venezia Giulia, e depois, quando a emigra\u00e7\u00e3o terminou, identificados entre os compatriotas j\u00e1 residentes na Rep\u00fablica e entre os imigrantes polacos e checoslovacos.<\/p>\n<p>Mais de 400 fam\u00edlias de camponeses foram recrutadas em It\u00e1lia e embarcaram para a Argentina com o objetivo de se tornarem rapidamente propriet\u00e1rios de vastas extens\u00f5es de terra que a empresa lhes atribuiria.<\/p>\n<p>Em 7 de novembro de 1924, a col\u00f3nia foi oficialmente fundada com o nome de Regina de Alvear, em homenagem \u00e0 esposa do presidente argentino.<\/p>\n<p>As terras foram entregues aos colonos mediante um dep\u00f3sito de 10% do valor total da terra, entregue, como consta do contrato, lavrada e vedada, e incluindo uma casa com alpendre, casa de banho e po\u00e7o, e a constitui\u00e7\u00e3o de uma hipoteca a pagar anualmente at\u00e9 ao resgate definitivo da propriedade.<\/p>\n<p>A companhia de coloniza\u00e7\u00e3o tinha elaborado um plano de desenvolvimento que inclu\u00eda o cultivo de luzerna, vinhas e \u00e1rvores de fruto, com o objetivo de transformar a terra \u00e1rida e est\u00e9ril num o\u00e1sis de verde, com longas filas de choupos a ladear canais e estradas, pontuado por pequenas casas e pequenas ind\u00fastrias para a transforma\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas e produ\u00e7\u00e3o de vinho.<\/p>\n<p>A iniciativa constitui a primeira e in\u00e9dita tentativa de coloniza\u00e7\u00e3o do fascismo com a cria\u00e7\u00e3o de uma \"nova cidade\". Uma experi\u00eancia que, alguns anos mais tarde, viria a ter epis\u00f3dios importantes em It\u00e1lia, como a funda\u00e7\u00e3o de Mussolinia di Sardegna em 1928 (hoje Arborea, na prov\u00edncia de Oristano), Littoria (hoje Latina) e Sabaudia em 1933, Pontinia em 1935 (Agro Pontino) e outras, no \u00e2mbito de um projeto mais geral de recupera\u00e7\u00e3o de zonas pantanosas e de atribui\u00e7\u00e3o dessas terras aos veteranos da Primeira Guerra Mundial, atrav\u00e9s da estrutura administrativa da Opera Nazionale Combattenti. De um ponto de vista urban\u00edstico, em Villa Regina foram experimentados modelos de organiza\u00e7\u00e3o social e de povoamento rural, com a subdivis\u00e3o em quintas e a cria\u00e7\u00e3o de n\u00facleos urbanos de agrega\u00e7\u00e3o que funcionavam como centros de refer\u00eancia pol\u00edtica e religiosa, que viriam a ser aplicados nas novas cidades italianas.<\/p>\n<p>Em 1927, Villa Regina tinha uma popula\u00e7\u00e3o de 1.000 habitantes e, gra\u00e7as a um empr\u00e9stimo de 5 milh\u00f5es de liras da Banca di Roma e a outros financiamentos da Banca Commerciale Italiana, foram constru\u00eddos um hospital, uma igreja, uma escola, uma biblioteca e um clube desportivo.<\/p>\n<p>A um in\u00edcio promissor do desenvolvimento da col\u00f3nia seguiu-se uma fase de grandes dificuldades para os colonos que tinham sonhado em \"fazer a Am\u00e9rica\" na Patag\u00f3nia: acontecimentos locais como a propaga\u00e7\u00e3o da mal\u00e1ria entre os habitantes, a dificuldade de cultivar solos salobros ou ricos em sal, as defici\u00eancias na cria\u00e7\u00e3o de uma rede de comercializa\u00e7\u00e3o eficiente para os produtos agr\u00edcolas e, por \u00faltimo mas n\u00e3o menos importante, a crise econ\u00f3mica internacional de 1929, levaram a empresa quase \u00e0 fal\u00eancia e os agricultores \u00e0 fome. Muitas das promessas sedutoras da Compagni que tinham levado os colonos a partir revelaram-se falsas.<\/p>\n<p>A C.I.A.C. teve de hipotecar as explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e de penhorar os cr\u00e9ditos sobre as mesmas. A isto juntou-se um plano de recupera\u00e7\u00e3o rigoroso por parte dos bancos, que chegou ao ponto de despejar os colonos insolventes e de p\u00f4r as quintas em leil\u00e3o. Os juros exorbitantes das hipotecas contra\u00eddas e a crise econ\u00f3mica colocaram na rua muitas das fam\u00edlias que tinham vindo para Villa Regina apenas alguns anos antes.<\/p>\n<p>Muitos imigrantes viram-se assim, depois de terem vendido as suas casas e terras em It\u00e1lia para embarcarem na aventura argentina, sem terra e sem dinheiro num pa\u00eds estrangeiro.<\/p>\n<p>No entanto, os protestos dos colonos, cada vez mais desesperados, n\u00e3o foram atendidos nem mesmo pelo apelo enviado a Mussolini em 1934, nem conseguiram moderar os apetites da Compagnia, que prosseguiu o trabalho de cobran\u00e7a de d\u00edvidas e, em alternativa, a venda das propriedades durante cerca de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Os protestos dos colonos exasperados n\u00e3o tardam a transformar-se em motins: em defesa dos seus direitos, os sindicatos e a Igreja argentina tomam partido.<\/p>\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1940, o bispo salesiano local, Dom Nicolas Esandi, foi o portador das reivindica\u00e7\u00f5es dos colonos, tentando laboriosas media\u00e7\u00f5es com a Companhia e o governo, tamb\u00e9m para amenizar os protestos que poderiam ter se transformado em revoltas sangrentas. O bra\u00e7o de ferro entre colonos e representantes da Companhia atingiu muitas vezes n\u00edveis extremamente tensos.<\/p>\n<p>O trabalho de D. Esandi foi precioso para defender as justas reivindica\u00e7\u00f5es dos camponeses deserdados e para lhes dar confian\u00e7a; n\u00e3o hesitou em intervir diretamente junto do Presidente da Rep\u00fablica para insistir na resolu\u00e7\u00e3o do problema. Uma iniciativa que foi habilmente deturpada, acusando o prelado de incitar os colonos a baixar o pre\u00e7o das fazendas e assim permitir que o Vaticano comprasse, a pre\u00e7o de saldo, os direitos da Compagnia sobre as propriedades leiloadas.<\/p>\n<p>S\u00f3 ap\u00f3s a queda do fascismo e no final da Segunda Guerra Mundial, em 1946, na sequ\u00eancia de um encontro entre o bispo, um representante dos colonos e o Presidente Juan Domingo Per\u00f3n, foi encontrada uma solu\u00e7\u00e3o para o longo e dif\u00edcil diferendo: um prolongamento do prazo de pagamento da d\u00edvida fundi\u00e1ria e a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos bonificados para a constru\u00e7\u00e3o de novas habita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O pesadelo do despejo e da consequente perda da terra e da casa, fruto de ren\u00fancias e sacrif\u00edcios, chegou ao fim em dezembro de 1950, ap\u00f3s mais de vinte anos de luta, com a entrega dos t\u00edtulos de propriedade aos colonos. Muitas das quintas continuam ainda hoje a sua atividade e transformaram-se em modernas empresas agro-alimentares, cujos produtos levam o nome de Villa Regina por todo o mundo.<\/p>\n<p>Assim terminou a p\u00e1gina da experi\u00eancia de coloniza\u00e7\u00e3o dos nossos emigrantes na Patag\u00f3nia, uma p\u00e1gina dolorosa mas muito bonita porque foi escrita com o suor do trabalho e inspirada pela vontade de construir uma vida melhor.<\/p>\n<p>Pietro Luigi Biagioni, Marinella Mazzanti<\/p>\n\t\t\t\t\t<ul id=\"menu-approfondimenti\"><li id=\"menu-item-501\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/\">Conhecimentos<\/a>\n<ul>\n\t<li id=\"menu-item-499\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/as-primeiras-viagens-transoceanicas\/\">As primeiras viagens transoce\u00e2nicas<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-498\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/a-america-e-a-miss-liberdade\/\">A \"Am\u00e9rica\" \u00e9 a Miss Liberdade<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-497\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/tontitown\/\">Tontitown<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-496\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/salvaguardas-e-autonomia\/\">Prote\u00e7\u00e3o e autonomia<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-495\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/viajar-com-cartas\/\">Viajar com cartas<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-494\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/lemigracao-entre-arte-e-literatura-no-theceano-de-edmondo-de-amicis-ilustrado-por-arnaldo-ferraguti\/\">A emigra\u00e7\u00e3o entre a arte e a literatura. No Oceano, de Edmondo De Amicis, ilustrado por Arnaldo Ferraguti<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-493\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/villa-regina-uma-colonia-italiana-na-patagonia\/\">Villa Regina. Uma col\u00f3nia italiana na Patag\u00f3nia<\/a><\/li>\n\t<li id=\"menu-item-492\"><a href=\"https:\/\/www.museoemigrazioneitaliana.org\/pt\/percepcoes\/a-estrutura-rasgada\/\">A estrutura rasgada<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Villa Regina \u00e8 una citt\u00e0 situata nella Provincia di Rio Negro in Argentina, nel nord della Patagonia. Oggi conta circa 30.000 abitanti ed \u00e8 un importante centro agricolo noto soprattutto per la produzione di frutta destinata ai mercati interni, ma anche all&#8217;esportazione. 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